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sábado, 10 de setembro de 2011

Massagem Esportiva

            A massagem esportiva de competição tem como objetivo dar ao atleta condições favoráveis para a preparação e a recuperação do esforço físico.
            Podemos diferenciar a massagem de competição em massagem pré-competição, massagem entre competições e massagem pós-competição.
            A massagem pré competição pode melhorar o potencial do atleta para um desempenho vitorioso. Ela objetiva aumentar a circulação e a temperatura central, facilitar as trajetórias neuromusculares, além de fornecer feedback cinestésico (de movimento) melhorando a consciência corporal, flexibilizar e afrouxar a fáscia (membrana que recobre os músculos) e outras estruturas do tecido conjuntivo e diminuir o excesso de tensão muscular.
            É uma massagem mais vigorosa e de ritmo mais rápido, buscando os benefícios da massagem, sem levar a um relaxamento que retire o atleta de seu limiar competitivo.

            A massagem entre as competições é realizada em torneios com várias competições num mesmo dia, ou mesmo no intervalo de jogos de futebol, basquete, dentre outros. O principal objetivo é identificar e tratar quaisquer área de tensão excessiva que tenham se desenvolvido durante o exercício.
            Nestes dois tipos de massagem, o uso ou não de creme emoliente é importante. Um primeiro fator a ser considerado, obviamente, é a vontade do atleta, entretanto o terapeuta não pode se limitar a isso. Nos casos em que o atleta veste uniforme para o corpo todo, dispositivos para treinar ou em competições em que a lubrificação residual sobre a pele pode causar escorregões ou retenção de calor, recomenda-se as técnicas de massagem seca.
            A massagem pós competição auxilia na recuperação, reduzindo as tensões musculares desenvolvidas durante o exercício, facilitando a captação de edema (inchaço) e o movimento linfático, auxiliando o retorno venoso para sustentar a recuperação, desativando pontos-gatilho e reduzindo o risco de dor muscular de início retardado.
            Diferente das massagens comuns, a massagem de competição se foca nos grupos musculares mais exigidos na prática esportiva e em possíveis queixas do atleta. Isso é válido principalmente para a massagem entre competições, em que o tempo é extremamente escasso.
            É importante que as massagens de competição sejam algo a mais, sem atrapalhar a rotina normal do atleta. Assim, a massagem não substitui o aquecimento e resfriamento, mas sim os complementa.


Fonte:
            Massagem Terapêutica Esportiva – Pat Archer

sábado, 30 de julho de 2011

Entrevista: Ricardo Sasaki (parte 2)

            Conforme prometido, vamos então dar continuidade à entrevista com o Sasaki:




            CF – Como é trabalhar com os jogadores? Eles são muito manhosos ou fazem tudo da melhor maneira possível?

Sasaki – Vou te falar uma coisa que é bom de trabalhar aqui no São Paulo. Quando o jogador chega aqui, da mesma maneira que ele tem um nome e um prestigio, o Reffis também tem. Então ele vem sabendo onde esta pisando, existe um respeito. A gente nunca teve problema com nenhum atleta com relação a  vir tratar, não querer tratar. Aqui é muito difícil ter isso.

            CF – Algum jogador já fingiu estar machucado?

Sasaki – O famoso “migué” de jogador. Quando o jogador se machuca, ele vem dois períodos direto. Se o cara não quer ir para uma determinada partida, ele vai sofrer aqui dentro, porque vai ficar as vezes 3 horas de manhã e 3 horas a tarde. Só que  ele entra aqui, e não fica deitado na maca, se ele consegue correr na esteira sem dor, ele vai correr aqui.
Tem dois aspectos isso, um é fazer a manutenção da parte física dele, e o segundo, se ele tiver dando o “migué”, vai acabar trabalhando muito mais. Se você quiser perguntar pra qualquer atleta que entra aqui no Reffis, ele vai te falar que ele trabalha muito mais aqui.

            CF – Qual foi o caso mais complicado que você já pegou?

Sasaki – Sabe qual é o caso mais difícil? O caso mais difícil é sempre aquele que você está tratando no momento. Ou é o último, ou é aquele que você está tratando. É este que está te dando dor de cabeça, é este que tira seu sono. Então se vierem me perguntar hoje, o caso mais difícil é o do Luís Fabiano.
O retorno dele tem que ser uma coisa mais tranqüila, ele tinha uma tendinopatia no semi-tendinoso, que ele rompeu. Você sabe na verdade que este tendão é usado para fazer reconstrução do LCA, então na teoria iríamos deixar ele quieto para tentar cicatrizar, e não teria que pensar numa cirurgia. Só que este tendão já tinha um problema, e quando optamos por fazer esta cirurgia, a gente viu que o tendão dele estava alterado.

CF – E o Kaká? Você chegou a tratar ele por causa da dor no Púbis?

Sasaki – Tratamos ele com dor no púbis aqui, mas neste último ano ele ficou bem preso lá no Real Madrid.
É normal, acho que dor no púbis é normal, todo atleta tem dor no púbis. Ele ficou este último ano dentro do Real lá, se tratou, ficou acompanhado direto pelo pessoal do Real, então eu conversei com ele, mas conversei mais de outras coisas do que de vir tratar aqui alguma coisa.

            CF – Como funcionam nas viagens? A equipe de reabilitação faz um rodízio?

Sasaki – A maioria das viagens eu faço. Como o Rosan viaja mais por causa da seleção, eu assumo as outras viagens aqui. Uma ou outra o pessoal já pega, o Alê pega, o Beto também vai viajar, não tem  problema nenhum.
É uma coisa que a gente decidi, o setor é bem independente. Se a fisioterapia está trabalhando legal, está tudo direitinho, não está dando falha, então não tem problema nenhum, entre nós, a gente se ajeita, só não pode dar furo.

            CF – Nas viagens, onde vocês atendem os atletas?

Sasaki – O clube monta um quarto só para isso no quarto em que eu vou ficar.
Assim, eu procuro sempre levar tudo que tem de melhor em portáteis. Primeiro tomada, tem que levar um montão de plug. Além disso, tem estádio que não tem estrutura nenhuma, nem energia elétrica tem, então se tiver equipamento à pilha ou bateria é melhor.
Nesses jogos que você faz mais curtos, como campeonato brasileiro, com viagens mais curtas, você consegue levar pouca coisa, não precisa levar equipamentos grandes, pois acaba não usando.

            CF – E o que você não deixa de levar?

Sasaki – Sempre? Você tem que pensar na verdade, num trauma agudo, como um entorse, numa contusão.
Para o atleta que está indo com alguma coisa crônica, você vai levar algo para analgesia. Se ele estiver muito ruim e não tem condição de jogar, não vai nem viajar, então você sabe que ele está saindo daqui com condição de jogar.
 O máximo que você vai fazer é algum tipo de manutenção. Só alguns casos onde você vai com algum atleta que vai fazer algum teste lá, aí sim você leva algum outro tipo de equipamento, alguma coisa de eletroterapia, uma coisa maior.
Mas as coisas básicas são as bandagens compressivas, aqueles “U” de tornozelo, alguma coisa para fazer gelo, e alguns aparelhos de eletroterapia que te possam dar analgesia. Isso é o básico, alguma coisa pequena, tranqüila, que dê para levar.

            CF – Como é o convívio com a equipe técnica? Há muita cobrança?

Sasaki – A cobrança que tem é a cobrança normal, que existe em qualquer trabalho. O técnico vai sempre te perguntar quando que ele vai poder contar com um jogador, então você conversa e fala que pra daqui a 2 semanas, então você se programa pra daqui a duas semanas entregar o atleta, por que se não entregar, o técnico tem todo o direito de vir te pressionar, porque ele é pressionado. Mas isso é uma coisa muito profissional aqui dentro, você fala uma vez e pronto.

            CF – E a mudança de técnico, atrapalha?

Sasaki – Isso é ruim, tanto é que o São Paulo mantém. Mas a maioria dos técnicos são super tranqüilos em relação à isso. E o clube já filtra, porque a escolha de um técnico pra vir treinar o São Paulo é muito bem feita, não é um técnico despreparado.

            CF – Quais são os prós e os contras de trabalhar num grande time de futebol?

            Sasaki – E a coisa boa, é que eu trabalho com uma coisa que eu sempre quis trabalhar. É legal? É, é super legal!
Os contras são vários! Primeiro que eu estou velhinho, com 46 anos, estou cansado de viajar e trabalhar sábado e domingo. Trabalhar todo sábado e domingo, e quase nunca ter folga é uma coisa complicada, porque você tem família, e a idade, eu vejo que hoje com 46 anos eu demoro mais para me recuperar pras coisas que eu tenho que fazer, então isso é uma coisa que é desgastante.
Outra coisa chata é a cobrança que você tem de fora. Você perde um jogo importante e no dia seguinte não pode ir na padaria, você desce no seu prédio e o zelador já pergunta pra você “mas o que aconteceu?”, e você tem que ser educado e responder. São coisas chatas, você ter esta cobrança, e o dia que você não tiver muito legal, pode responder atravessado, ser mal educado e arrumar uma encrenca, então isso você também aprende no futebol.
E não é só quando perde, quando ganha o cara também quer perguntar as coisas, e você não quer falar sobre isso. Eu dificilmente falo de futebol fora do trabalho, eu evito.

            CF – Agora alguns clubes estão levando o fisioterapeuta para o campo,  atendendo as intercorrências no gramado. O que você acha disso?

Sasaki – Minha opinião é a seguinte, acho que é uma questão de funcionamento. Por exemplo, um atleta luxa o ombro, a gente tenta reduzir em campo e não consegue, desce para o vestiário, tenta reduzir no vestiário e não consegue, vai para o hospital. Quem tem que ir para o hospital, quem é mais gabaritado para chegar no hospital, passar o que está acontecendo, e até entrar num centro cirúrgico? Você acha que é o massagista que deveria estar no vestiário e o fisioterapeuta no campo?
Acho que dentro de campo é o médico para fazer o diagnóstico e ver se tem que descer para fazer um tratamento no vestiário, o massagista que muitas vezes também é enfermeiro e sabe fazer o curativo e a massagem que o fisioterapeuta aqui no Brasil não vai fazer, e o preparador físico.
Eu não vou poder ficar no campo. O massagista não vai ficar no vestiário para fazer o tratamento que eu acho que tem que fazer num atleta enquanto eu estou em campo. Então eu acho que sou mais útil fora do campo do que dentro.
Eu já ouvi algumas pessoas falando que você tem que fazer isso para aparecer a profissão. E não, a profissão não tem que aparecer desta maneira, só para estar na mídia. Apareça na mídia por um trabalho que você está fazendo bem feito.

            CF – Na sua opinião, o que é preciso para ser um bom fisioterapeuta?

Sasaki – Primeiro, gostar da fisioterapia, e mais que isso, gostar daquilo que você faz dentro da área da fisioterapia. Ser persistente naquilo que você quer fazer, naquilo que você gosta.
E lógico, você precisa estar preparado para poder estar trabalhando com isso. E não é só estudar, você tem que ter um pouco de prática também. A gente estuda, estuda, estuda, e na hora de aplicar aquilo na prática, algumas coisas são diferentes. Mas é muito importante você ter o embasamento, se você não tiver, você não consegue tocar a prática.

            CF – O que falta para a fisioterapia ser melhor valorizada no Brasil?

Sasaki – Olha, eu estou trabalhando hoje no HCor. Então eu tive uma outra visão, numa parte administrativa, com relação à plano de saúde, valores, enfim. Acho que a má remuneração leva à um mau atendimento, e um mau atendimento leva à um mau profissional.
O que acontece hoje no Brasil é, quem tem plano de saúde não quer pagar particular para poder fazer fisioterapia, e o que os planos de saúde pagam por atendimento é vergonhoso. Então você vai ficar se submetendo à um atendimento de baixo preço e de má qualidade.
Não dá para querer fazer um atendimento de ótima qualidade com o plano de saúde querendo te pagar 7 reais, 4 reais, pela fisioterapia. Assim, a imagem do profissional fica ruim, a fisioterapia é ruim e não dá resultado.

            CF – Que conselho você daria para um recém formado que quer trabalhar num grande clube de futebol?

Sasaki – Primeiro é você ter certeza daquilo que quer fazer. Dificuldades vão existir, claro que vão. Em São Paulo são 4 grandes clubes, então o número de fisioterapeutas é restrito. E quantos se formão todo ano? Por aí você já começa a ver o quanto é difícil. Vai ter que se preparar para isso.
Por isso que eu falei também, uma questão de sorte. Eu tive sorte? Tive, mas sorte é capacidade com oportunidade, tem que estar preparado para quando a oportunidade aparecer. Aparece a oportunidade e, se você não estiver pronto, é difícil, aí você vai perder aquela chance e talvez ela não volte mais.
Uma outra coisa também é que hoje todo mundo olha pra mim e acha fácil, ser fisioterapeuta do São Paulo. Mas não foi simples assim, a minha vida pessoal mudou muito trabalhando com esporte, eu me separei, você tentar arrumar uma família e uma mulher que aceite como é o futebol é difícil, a pessoa que está do seu lado tem que entender muito bem isso daí, é complicado.
E tem que pensar em tudo isso. Por que as pessoas só pensam no glamour, no futebol.
E se você quer sobreviver dentro do futebol, é uma outra coisa que eu falo, não apareça muito. Quem tem que aparecer são os jogadores, o técnico e alguns dirigentes do clube. Departamento médico quando começa a aparecer demais, está dando problema, a coisa não está boa.
Você tem que saber a sua posição dentro do clube, como fisioterapeuta, como quem cuida dos atletas. Quem começa muito cedo a trabalhar com esporte, com futebol, acha que tem que ter uma vida de atleta, quer seguir a mesma vida do atleta, e isso é um problema. Você sai com o atleta, tem amizade com ele?Sim, pode sair e ser amigo, não tem problema nenhum, só que você é da comissão técnica. São pequenos detalhes que você deixa se levar, e que podem dar problema.

É isso ai, espero que tenham gostado!



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Entrevista: Ricardo Sasaki (parte 1)


            Semana passada eu tive a honra de entrevistar o fisioterapeuta do São Paulo Futebol Clube, o Ricardo Sasaki. Fui até o CT do São Paulo, onde fui muito bem recebido e conversamos numa sala do REFFIS – Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica. Gostaria de destacar a simpatia e a atenção do Sasaki, que prontamente me atendeu, embora estivesse na correria do dia-a-dia.
            Tivemos, na verdade, uma conversa descontraída, onde pude conhecer melhor a sua história na fisioterapia, pude ouvir algumas histórias sobre o mundo do futebol, além de obter algumas de suas opiniões quanto à alguns temas.
            Muito feliz com esta oportunidade, divido com vocês as palavras deste mestre! Serão dois posts, dividindo a entrevista em duas partes.

            CF – Qual a sua formação?

Sasaki – Primeiro eu fiz educação física na FEFISA (Faculdades Integradas de Santo André), e assim que eu terminei, ingressei na PUC de Campinas para fazer fisioterapia. Fiz uma especialização em ortopedia esportiva na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) e outra em fisiologia do exercício na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

            CF – O que te fez sair da área de educação física?

Sasaki – Quando  estava no último ano de educação física, comecei a trabalhar numa clínica que fazia um trabalho de transição entre a fisioterapia e o esporte, e era no futebol. A partir daquele momento eu decidi que ia fazer fisioterapia, era daquilo que eu gostava.

            CF – Além desta formação, fez algum curso de extensão?

            Sasaki – Fiz sim. Eu tenho alguns cursos, como de Osteopatia, mas não sou um fisioterapeuta de mão cheia neste aspecto. Eu acho que as pessoas que fazem esta parte de terapia manual tem que ter um feeling, um pensamento, uma mão.
            Minha mão eu acho fraca para isso, me dou melhor numa outra linha que levo, que gosto mais, uma linha mais mecanicista, com uma parte de eletroterapia, uma parte de exercícios e cinesiologia. A educação física e a parte de fisiologia me ajudaram muito para a prescrição de exercícios, isso é uma coisa que ajuda demais.

            CF – O que você ainda quer estudar? Tem algum curso que pretende fazer?

Sasaki – Nossa, tem tanta coisa que você vê hoje! Fica difícil eu te falar um curso, mas eu gostaria de ter tido mais oportunidade de ir à alguns centros de reabilitação no exterior, principalmente nos EUA, pois o que eu conheço fora do pais é apenas relacionado ao futebol. Eu conheço pouco dos EUA sobre centro de reabilitações e algumas coisas que conheci, gostei muito. Também gostaria de conhecer uma parte na Europa em geral, principalmente nos países que jogam futebol. É uma loucura o como o americano pensa e como o europeu pensa.

            CF – Então você sempre foi para esta área ortopédica e esportiva?

Sasaki – Sempre fui para a área de traumato-ortopedia, mas teve uma época, por causa da parte de fisiologia, que eu quase fui fazer cardio-respiratório! Passei até no Dante Pazzanese, deu uma chacoalhada, mas não adiantou, era ortopedia mesmo que eu gostava, uma coisa que eu sempre fui focado.

            CF – Sempre trabalhou com futebol?

Sasaki – Não. Logo que me formei em fisioterapia, eu precisava começar a trabalhar para ganhar dinheiro. Tive o convite de um amigo, Fernando Guimarães, que trabalha com hipoterapia, e fiquei trabalhando uns 6 meses com ele. Mas na verdade, o Fernando me convidou para ir pros EUA fazer um curso e me especializar em hipoterapia, então eu tive que recusar, pois se eu fizesse este curso, largaria tudo que havia feito atrás. Então falei para o Fernando que não dava, que eu adoro cavalos, mas tratar das crianças com problema neurológico, pra mim era  uma paulada.
Mas acho que eu tinha que passar por isso, passei, aprendi muita coisa, agradeço muito ao Fernando, foi muito legal. Mas é complicado, você precisa ter uma estrutura boa para poder trabalhar em neuro infantil.
Essa foi a época que eu não trabalhei com futebol, depois logo fui trabalhar no São Bernardo, trabalhei numa clinica de ortopedia que tinha esse contato, depois eu fui chamado para trabalhar no Bragantino.
Comecei como estagiário no Bragantino, com o Rosan e o Marco Aurélio, que tinham saído do São Paulo e ido pro Bragantino. Uma época eu fiquei nas categorias de base, e o Rosan tocava o profissional.

            CF – Como você chegou ao SPFC?

Sasaki – Então, o futebol tem alguns problemas dependendo do time que você pega. Eu fiquei 6 meses sem receber do Bragantino, isso foi em 1994/1995, e chegou uma hora que eu pedi para ser mandado embora. Foi nessa época que o Fábio Mahseredjian, um amigo que fez faculdade comigo, também estava no bragantino e hoje é preparador físico da seleção brasileira e do internacional, me chamou para ir para a Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), para trabalhar junto com o Dr Turíbio Leite de Barros.
Trabalhei por um bom tempo com esta parte de fisiologia do exercício na Escola Paulista de Medicina. E daí surgiu a oportunidade de eu vir pro São Paulo. Porque o São Paulo precisou de um fisioterapeuta e de um médico, e na época o Dr. Turíbio indicou eu e o Dr. Antonio Maceo de Castro, o Tonhão.
Por sorte, o técnico que estava aqui era o Parreira, e eu tinha trabalhado com ele no Bragantino.
Essas coisas no futebol, parece uma coisa de panela, uma coisa fechada, mas ajuda muito as pessoas saberem com quem vão trabalhar. São cargos de confiança.

CF – Foi considerado o 9º melhor fisioterapeuta do mundo pelo site espanhol Guia Lo Mejor Del Mundo (GMM). Como foi ter este reconhecimento?

Sasaki – Não é desmerecendo as coisas, mas é, na verdade, um site de jornalistas e a análise foi feita por eles. Eu te garanto que tem um montão de fisioterapeuta melhor do que eu, como tem um montão que é pior, e isso ai foi pelo contato que eu tive fora, pessoas que eu tratei fora, então não é um título pela capacidade técnica, mas talvez por quem eu tratei fora.

            CF – O que você vê de diferente na fisioterapia do exterior em relação à do Brasil?

Sasaki – Lá fora o números de recursos é enorme, tanto nos EUA quanto na Europa, pois a quantidade de equipamentos que são lançados é muito grande. Acho que no Brasil, agora com a abertura para a importação, e mesmo o acesso a compra que a internet proporciona, as coisas vão ficar mais fáceis, só que o preço aqui no Brasil é algo exorbitante com relação aos preços lá fora.
Já quanto à maneira de trabalhar, eu não vejo pessoal melhor que aqui no Brasil, não é puxando a sardinha, mas aqui o cara tem uma outra visão. O jeito do brasileiro é assim, se você falar para o cara que tem uma borrachinha e uma geladeira, ele se vira para fazer fisioterapia!
Para o brasileiro o que você der na mão dele, ele se vira e faz o que tem que fazer, e faz bem. Isso eu acho que é diferente, porque o cara lá fora esta acostumado a ter o equipamento, e quando ele não, não sabe o que fazer.

            CF – O que você acha que faz os atletas virem do exterior para serem tratados aqui? É a confiança que ele tem nos profissionais e no clube, é a qualidade dos profissionais, é a estrutura do clube, ou o fracasso no tratamento lá fora?

Médico do Inter visita o São Paulo
Sasaki – Eu acho que tudo, é isso tudo que você está falando. Alguns atletas é muito pela confiança, você vai criando um vínculo e ele vai confiando em você. Isso eu acho que independe um pouco da sua capacidade.
Outra coisa é que lá fora eles trabalham bem diferente. É aquilo que eu estava te falando, eu gosto muito de terapia manual, como Rolfing e osteopatia, e quando eu não sei aplicar, e sei que o atleta vai precisar, eu indico para uma pessoa, o atleta faz e depois volta comigo e continua trabalhando.
E eu acho que importante também é com relação à prescrição de exercícios. Você fazer uma resistência para um atleta só com a sua mão, uma resistência manual, e achar que vai ser suficiente para ele voltar para a atividade dele, é um engano, eu acho muito difícil o atleta ter condição de voltar pra fazer a atividade.
E é isso que acontece muito lá fora, reabilitação com resistência manual e terapia manual.
Vou te contar uma história que foi muito engraçada. Teve um ano que veio o Edmílson, o Tiago Mota, enfim, vieram vários jogadores do Barcelona, para se reabilitar aqui. E de lá veio também um fisioterapeuta do Barcelona. Depois eu fui pra lá, para retribuir esta visita, e era vergonhoso o que os caras tinham de estrutura como fisioterapia, isso era 2006/2007, era ridículo para um clube como o Barcelona. Tanto é que depois disso, que os caras viram como que era aqui, o presidente mandou fazer uma nova estrutura para eles.

            CF – Como funciona a vinda de um jogador para se tratar aqui no Reffis?

Sasaki – Os atletas vem para o Brasil e tentam conciliar a folga com o tratamento aqui no Reffis. Mas quando você quer prorrogar demais esta permanência aqui, o clube quer que ele volte, e como ele é atleta do clube, não pode ficar aqui.
Então fica sempre uma coisa quebrada, foi até uma tema de discussão aqui, se vamos continuar aceitando este tipo de coisa, ou não. Porque a gente tem uma metodologia de trabalho, e depois o cara tem que voltar para lá, com outro tipo de trabalho, isso é um problema.
Nós até tentamos passar o que é para fazer lá. Um exemplo que dou para você é o Júlio Batista, ele veio, ficou um tempo. Ele teve uma lesão de menisco, fez a cirurgia aqui no Brasil, e fez uma fase da reabilitação aqui. Só que ele teve que voltar, então nós mandamos um fisioterapeuta daqui, que ficou um tempo com ele lá, pra ele poder voltar, e voltou super bem.
O São Paulo permite isso para alguns atletas, para outros não dá. Se vai fazer uma falta aqui dentro, não dá para ficar liberando o fisioterapeuta para poder ir com o jogador.
Não dá, por que a gente não ganha nada com isso e o clube também não. Ele ganha na verdade na idéia que o Juvenal teve de montar o Reffis e dar um status para levar este nome para o exterior. Dá prestígio ao clube, saber que é um clube sério. Porque antigamente, o problema era que o jogador falava que vinha para o Brasil para fazer fisioterapia, só que os caras achavam que ele queria voltar para ver a famílias e os amigos. Então vários fisioterapeutas de fora vieram e viram que não. Lá fora, não se trabalha dois períodos, lá só se trabalha o período que o jogador está no clube. O atleta vem ver a família? Vem ver a família, mas ele trabalha pra caramba também.

            CF – Como vocês dividem os pacientes entre a equipe aqui do Reffis? Há alguma divisão?

Sasaki – Não, caiu aqui é para todo mundo. Até porque, o cara faz todo dia 2 períodos de fisioterapia, é de segunda à segunda se precisar, só no domingo que ele faz um período apenas na manhã.
Então não tem isso, tem mês que eu viajo e os jogadores ficam com o pessoal que está aqui para tratar, ou eles viajam e eu tenho que ficar para tratar.
Assim, uma coisa que é principal, que eu acho que dá certo aqui dentro do Reffis, é o grau de amizade que a gente tem, eu, Rosan, Betinho, Alê, Cilmara. É o grau de amizade, e essa amizade na verdade, na capacidade da gente se comunicar, tanto comunicar aqui entre nós, como com os outros setores do clube.
Outra vantagem é que o Sanches está aqui direto, então qualquer problema a gente discute com ele e toca o tratamento pra frente. 

            Por hoje é isso! E não deixem de ler o resto da entrevista, em que ele fala mais sobre o dia-a-dia com os jogadores, viagens, técnicos, Kaká, Luis Fabiano e sobre a fisioterapia no Brasil. Não perca o post sábado!


sábado, 23 de julho de 2011

Massagem Esportiva


            A massagem esportiva de competição tem como objetivo dar ao atleta condições favoráveis para a preparação e a recuperação do esforço físico.
            Podemos diferenciar a massagem de competição em massagem pré-competição, massagem entre competições e massagem pós-competição.

            A massagem pré competição pode melhorar o potencial do atleta para um desempenho vitorioso. Ela objetiva aumentar a circulação e a temperatura central, facilitar as trajetórias neuromusculares, além de fornecer feedback cinestésico melhorando a consciência corporal, flexibilizar e afrouxar a fáscia e outras estruturas do tecido conjuntivo e diminuir o excesso de tensão muscular.
            É uma massagem mais vigorosa e de ritmo mais rápido, buscando os benefícios da massagem, sem levar a um relaxamento que retire o atleta de seu limiar competitivo.
            A massagem entre as competições é realizada em torneios com várias competições num mesmo dia, ou mesmo no intervalo de jogos de futebol, basquete, dentre outros. O principal objetivo é identificar e tratar quaisquer área de tensão excessiva que tenham se desenvolvido durante o exercício.
            Nestes dois tipos de massagem, o uso ou não de creme emoliente é importante. Um primeiro fator a ser considerado, obviamente, é a vontade do atleta, entretanto o terapeuta não pode se limitar a isso. Nos casos em que o atleta veste uniforme para o corpo todo, dispositivos para treinar ou em competições em que a lubrificação residual sobre a pele pode causar escorregões ou retenção de calor, recomenda-se as técnicas de massagem seca.

            A massagem pós competição auxilia na recuperação, reduzindo as tensões musculares desenvolvidas durante o exercício, facilitando a captação de edema (inchaço) e o movimento linfático, auxiliando o retorno venoso para sustentar a recuperação, desativando pontos-gatilho e reduzindo o risco de dor muscular de início retardado.
            Diferente das massagens comuns, a massagem de competição se foca nos grupos musculares mais exigidos na prática esportiva e em possíveis queixas do atleta. Isso é válido principalmente para a massagem entre competições, em que o tempo é extremamente escasso.
            É importante que as massagens de competição sejam algo a mais, sem atrapalhar a rotina normal do atleta. Assim, a massagem não substitui o aquecimento e resfriamento, mas sim os complementa.
  

sábado, 28 de maio de 2011

Fascite Plantar


Fala pessoal, hoje vou postar um texto da autoria de um grande mestre, chamado Cássio Siqueira. Ele é formado em fisioterapia pela Universidade de São Paulo, especialista em neurologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, especialista em aparelho locomotor no esporte pela UNIFESP e mestre em ciências da reabilitação pela Universidade de São Paulo. Atua como supervisor de estágio na USP e é sócio-fundador da Run&Care, dentre outras atividades.
Tem um interessante trabalho com atletas (vide Run&Care em Veja Também) realizando uma complexa avaliação funcional do gesto esportivo, para então poder intervir com uma reeducação do movimento, tendo em vista não só tratar as disfunções, como também realizar um trabalho preventivo.

A pronação do pé é um termo bastante usado no meio da corrida. Você, que já ouviu falar muito de pronação, mas não sabe exatamente o que é, pode tirar a sua dúvida aqui.
Pronação é o movimento do pé em que a planta se vira para fora.


Quando o pé sustenta o peso do corpo, este mesmo movimento vai ser observado como o rebaixamento do arco da parte interna do pé. É o que se vê no popular “pé chato”.
Um pé pode não ser pronado, mas pronar durante o movimento da corrida.
Na corrida, deve-se observar a forma como o pé prona. Qual a amplitude e velocidade desta pronação.
A pronação não é sempre ruim, ela é útil como mecanismo para absorver impacto, mas dependendo da forma como é feita pode ser prejudicial. E, um ponto bastante importante é que o pé, em grande parte das vezes, prona devido a alguma falha em articulações mais altas, como o quadril e o tronco. Portanto, nem sempre um tênis para pé pronador é indicado para pronadores. E, esta avaliação da causa da pronação é importante, antes da compra do calçado.



Um dos palavrões com que os corredores frequentemente se deparam é a fascite plantar. Algumas vezes este palavrão aparece nas grafias fasceíte ou fasciite.
De tão comum na corrida, o que é a fascite não chega a ser um mistério para a população corredora e não faltam boas fontes de informação na internet.
Por isso, abordaremos menos “o que é” e mais “como ela ocorre”.
A fascite se manifesta com uma dor na região interna da planta do pé, próxima ao osso do calcanhar. Esta dor é mais intensa pela manhã, nos primeiros passos após sair da cama, e tende a melhorar com a movimentação ao longo do dia. Porém, maiores períodos em pé, caminhando ou correndo podem fazer a dor reaparecer. E isto atormenta muito o corredor, chegando a limitar treinos e provas.
Uma das principais causas de angústia do atleta com fascite vem da não compreensão do mecanismo causador da fascite e da dificuldade do tratamento.
(...) o mecanismo básico deste tipo de lesão pode ser entendido pelo ditado “água mole em pedra dura…”. As fascites, tendinites, bursites… do atleta, não se pegam do ar. Você não pegou fascite, você não tem fascite, você está com fascite, desenvolveu uma fascite.
O que faz a fáscia plantar machucar é um estresse mecânico, alguma sobrecarga que esta estrutura vem sofrendo. Eliminado o estresse mecânico, o tecido se recupera e a fascite desaparece.

(...)

Mas qual é o movimento inadequado que causa a fascite?

Na corrida, a fáscia plantar é maximamente tensionada quando o peso do corpo é sustentado mais pela parte interna da ponta do pé (mais pelo dedão). Ou seja, a pronação do pé é um fator importante.
Esta tensão também é maior, quanto maior a carga que deve ser sustentada. Por isso, correr com maior deslocamento vertical (saltando) é uma das inadequações que podem aumentar o risco de fasciite. Outra falha importante e comum é o déficit na absorção inicial do impacto. Ele deve ser feito com o retropé (parte de trás do pé – calcanhar) e com o rolamento do pé até que a ponta do pé receba o peso do corpo. Não realizar este processo, ou abreviá-lo, vai gerar maior carga e maior tempo de sustentação da carga na ponta do pé e, conseqüentemente, maior sobrecarga na fáscia.
Obviamente, outros fatores contribuem e devem ser analisados em cada caso como o sobrepeso, uso de calçados inadequados, treinamento sem orientação de professores entre outros.

            É isso ai, espero que tenham gostado e, caso tenham interesse em conhecer melhor o trabalho deste mestre, acesse www.runandcare.com.br.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Por que fisioterapia esportiva?

            Quando estava no começo da faculdade surgiu aquela dúvida: será que é isso mesmo que eu quero?
            Sempre gostei muito de esportes em geral, mas com um gosto especial pelo que é a paixão nacional, o futebol.
            Eis que assisti um vídeo no youtube. Me arrepiei. E ainda me arrepio, sempre que assisto. É talvez impossível explicar com palavras o que este vídeo é capaz de transmitir, talvez um grande escritor seja capaz, mas eu prefiro deixar que assistam, sintam e tenham as suas percepções...
            Muitos já assistiram este vídeo, para estes recomendo que assistam de novo. Já para os que não assistiram: não percam a oportunidade!

sábado, 12 de março de 2011

Drenagem Linfática Manual e Lesão no Esporte


            Hoje em dia a Drenagem Linfática está estigmatizada como um recurso estético, procurado por um público majoritariamente feminino, que busca reduzir medidas e os inchaços. É uma técnica realmente muito eficiente para este fim, tendo diversos benefícios estéticos. Teremos um post abordando este assunto...
Mas a drenagem linfática vai muito além. É um recurso terapêutico fundamental em muitos tratamentos pós operatórios, relevante para limitar a organização de hematoma a um tecido danificado, capaz de reduzir a dor por mecanismo de controle das comportas e por diminuir a pressão em terminações nervosas, reduz edema garantindo maior amplitude de movimento, dentre outros benefícios.
Sendo assim, os atletas formam uma população que pode se favorecer muito com a técnica. Primeiro, trata-se de uma técnica que dispensa acessórios ou equipamentos especiais, dispensando grandes gastos. Segundo que elas são as únicas manobras de massagem que podem ser aplicadas com segurança e eficácia nos locais traumatizados durante a fase aguda de cicatrização.


O protocolo-padrão de tratamento de uma lesão no estágio agudo consiste em Proteção, Repouso, Gelo, Compressão e Elevação (PRICE). Há uma razão fisiológica para cada um destes procedimentos, assim, a proteção e o repouso previnem um trauma adicional e permitem o inicio da organização do hematoma; o gelo reduz a dor e o espasmo, ajuda a controlar a formação de edema e diminui a demanda metabólica do tecido atenuando as mortes celulares por hipóxia; a compressão e a elevação também são medidas que visam diminuir e controlar a formação de edema primário.

Estas medidas são essenciais agudamente, porém tratam apenas os aspectos cardiovasculares do trauma. O exsudato do tecido danificado é um edema rico em proteínas, e as proteínas são substâncias osmoticamente ativas, levando à formação de edema secundário. Sendo assim, as proteínas precisam ser retiradas do tecido intersticial, e a única maneira de fazer isso é melhorando a captação do edema pelo sistema linfático.
Portanto, adicionando a drenagem linfática entre as medidas padrão do PRICE o tratamento poderá afetar positivamente a velocidade do reparo e da cicatrização das lesões, acelerando o retorno do atleta à atividade.
Vale lembrar que este tratamento condiz apenas com o tratamento local, segmentar. O tratamento mais efetivo trata o paciente como um todo, avalia sua funcionalidade, diagnostica os fatores que corroboraram para o trauma/ lesão e os corrige. Desta forma estamos tratando a causa da lesão, e não apenas a lesão; além disso estamos prevenindo novas lesões.
As informações deste blog tem objetivo de informar e não substituem a consulta médica ou fisioterapêutica. Estes são os profissionais indicados para avaliar e traçar a conduta necessária caso a caso. Se estiver com algum problema, procure um profissional de saúde.

Fonte:
Livro Massagem Terapêutica Esportiva – Pat Archer

quarta-feira, 9 de março de 2011

Kinesiotape

            E vamos aos poucos retomando às atividades! Espero que tenham passado muito bem o carnaval e estejam prontos para receberem novas informações do mundo da fisioterapia e da medicina tradicional chinesa.
            Um dos serviços dos quais disponho é a aplicação de kinesiotape. Algumas informações estão expostas na página de atendimentos, mas agora trago mais algumas informações sobre o método.
Hoje existem variadas nomenclaturas para a técnica, como kinesiotape, kinesio Taping, Cinesiotape, Cinesiotape Neuro Muscular, Taping Neuro Muscular, dentre outros. A técnica é de origem oriental, principalmente Coréia e Japão, e teve inicio na década de 70, com a filosofia de que o movimento e a atividade muscular são essenciais para manter ou recuperar a saúde.
Assim, em sua origem, a técnica visava ajudar a função muscular, mas com o desenvolvimento do método observou-se que sua aplicação poderia ser muito mais ampla.


Trata-se de uma bandagem corporal adesiva com características de elasticidade (140%), peso e espessura similares à da pele humana, sem medicamentos e com cola hipo-alergênica, que proporciona estímulos corporais constantes para tratamento de diferentes patologias. A utilização do método não se baseia em ações mecânicas, mas sim no Conceito da Estimulação Tegumentar (CET), que permite a diferenciação da utilização desta bandagem comparada com outros métodos similares.
As cores, no inicio do desenvolvimento da técnica, baseavam-se nos conceitos da cromoterapia, mas com a popularização da técnica, associada à vaidade dos pacientes, estes conceitos não são muito aplicados na prática. Os tapes são exatamente iguais independentemente das cores, exceto pelo pigmento utilizado para colori-los.
Os mecanismos de ação do kinesiotape ainda não são totalmente entendidos. As teorias baseiam-se nos mecanorreceptores situados nas trabéculas de tecido conjuntivo que ligam as fáscias profunda e superficial, que são estimulados pela bandagem, tendo efeitos reflexos e aumentando as aferências para o sistema nervoso.
As aplicações do tape são diversas: com técnicas musculares, técnicas de ligamentos e tendões, de correção da posição articular, de estabilização articular, de correção da posição fascial, de aumento de espaço, de drenagem linfática e, por fim, técnica para fibrose, cicatriz e hematoma.
Dentre seus efeitos temos: analgesia, melhora da função muscular (relaxamento ou tonificação), auxílio à função articular aumentando a estabilidade (técnicas de reposicionamento articular), melhora da circulação sanguínea local, auxílio a evacuação linfática, liberação cicatricial e diminuição de hematomas.
O tape pode ser usado por vários dias seguidos, podendo manter-se aderido à pele por até 7 dias, e, conforme for descolando deve ser retirado. Por ser poroso, de algodão e com cola resistente, pode ser molhado, porém recomenda-se secá-lo bem para evitar problemas de pele.

Fontes:
www.kinesiobrasil.com
Apostila Cinesiotape Neuro Muscular do Ft. Alonso Romero F. Filho